Convidadas pelo Projeto Imagem do Brazil Machinery Solutions, repórteres internacionais relatam como a FEIMEC mudou sua percepção sobre o mercado do país
Angela Delgado já havia realizado a cobertura de encontros industriais no México, no Peru e na Colômbia. Ainda assim, a FEIMEC 2026 surpreendeu. O porte das máquinas, a variedade de subsetores e o nível tecnológico das soluções expostas chamaram a atenção da editora da revista colombiana Metalmecánica. Para Yoko Irán Hernández García, repórter da revista mexicana Somos Industria, a visita revelou uma indústria brasileira competitiva, conectada a novas tecnologias e preparada para ampliar alianças com outros mercados da América Latina.
s duas jornalistas estiveram em São Paulo a convite do Projeto Imagem, iniciativa do Brazil Machinery Solutions, programa realizado pela ABIMAQ (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). A ação aproxima profissionais da imprensa internacional de empresas, especialistas e lideranças do setor brasileiro de máquinas e equipamentos, com o objetivo de mostrar, a partir de experiências presenciais, como o país desenvolve soluções industriais, tecnologia e capacidade produtiva para mercados globais.
urante três dias de agenda na FEIMEC 2026, realizada de 5 a 9 de maio, no São Paulo Expo, Angela e Yoko participaram de entrevistas, visitas guiadas, demonstrações tecnológicas e conversas com porta-vozes da ABIMAQ e executivos de empresas expositoras participantes do programa. Em uma edição que celebrou os 10 anos do maior encontro de máquinas e equipamentos da América Latina, o Projeto Imagem transformou a cobertura jornalística em uma imersão no setor. Confira a entrevista com as duas profissionais convidadas e a leitura que fizeram sobre o setor produtivo brasileiro:
BMS — Como foi o trabalho que você realizou com o Projeto Imagem?
Angela — Realmente foi muito enriquecedor, na medida em que pude obter informação suficiente, contatos suficientes. A organização do projeto também fez com que fosse muito fácil conversar com as pessoas-chave, no meu caso, um pouco com as ideias que eu trazia em mente sobre o que quero fazer com esta cobertura. Então foi muito enriquecedor, muito satisfatório, e levei mais informação do que tinha considerado. Então foi muito positivo.
Yoko — Foi muito produtivo estar na feira e ver a vinculação que estão realizando com o setor industrial do Brasil, porque conheço a parte do México. No entanto, em relação a toda a América Latina, a indústria está se fortalecendo por meio de alianças, de internacionalizar as companhias nacionais, e isso ajuda a economia da América Latina e a realizar um trabalho em conjunto com o México. Parece-me muito interessante o que a ABIMAQ está fazendo, já que realmente está ajudando as companhias a dar a conhecer o potencial que têm para entrar em outros mercados. Então os felicito muito, porque este é um trabalho impressionante que estão realizando.
BMS — As fontes de informação que você encontrou aqui e os assuntos que foram tratados eram o que você esperava encontrar? Isso ajudou na preparação dos seus artigos?
Angela — Realmente sim. Sinto que estes espaços de feira são os momentos ideais para construir conhecimento ao redor da indústria. Falar com os especialistas, com todos aqueles que estão envolvidos basicamente com o dia a dia da indústria, é a maneira mais efetiva de realmente chegar a entender os contextos industriais, mas também entender quais são as soluções que estão sendo pensadas, qual é o trabalho que está sendo feito, quais são os desafios. Acho que foi uma grande oportunidade, é uma grande oportunidade de contato direto com os expositores, com os empresários, com as associações. As associações são-chave justamente para entender, a partir dos dados mais duros, como tudo está funcionando. Então sim, acho que cumpriu perfeitamente os objetivos que eu trazia para a geração de conteúdo.
Yoko — Sim, a verdade é que hoje o mercado demanda nova tecnologia e foi muito interessante conhecer, em diversos setores, o que está sendo feito. Normalmente estamos explorando o setor automotivo, mas aqui você encontra desde ferramentas manuais até inovações em corte, maquinário muito grande, e também como estão utilizando a inteligência artificial e outras tecnologias para se transformar e ser mais competitivas. Isso me ajuda porque, em um mercado global, dar a conhecer os temas relevantes de inovação é informação muito útil para o nosso meio.
BMS — Como você percebe a FEIMEC? Que opinião tem sobre a feira e como ela se compara com outros eventos em que você já participou?
Angela — A verdade é que vou embora muito surpreendida. Acho que é uma das feiras, se não a maior que eu vi, em que participei. Eu tive a oportunidade de estar em feiras no México, no Peru, obviamente na Colômbia, mas realmente esta me pareceu muito grande. E, além disso, sinto que tem uma cobertura de subsetores da indústria muito, muito grande. Então realmente me pareceu muito especial nesse sentido, porque tive acesso basicamente a todos os subsetores que se podem ter da indústria. Além disso, o tamanho das máquinas, acho que nunca tinha visto máquinas tão grandes. O nível de tecnologia que se maneja também me pareceu surpreendente. Entendo que é um dos objetivos principais do Brasil, mas vê-los materializados e aplicados à realidade me explodiu a cabeça. Então vou embora com uma sensação muito boa.
Yoko — Confirmo totalmente que é a maior feira da América Latina em maquinário. Estivemos percorrendo toda a feira e realmente trazem equipamentos muito grandes. Têm muitas capacidades, somente na energia que utilizam essas máquinas, nas apresentações, e você encontra de tudo. Não só maquinário e ferramentas, mas é uma feira completa que reúne, digamos, o coração da indústria do Brasil.
BMS — Depois das entrevistas e de tudo o que você viu na feira, qual é a sua percepção sobre a indústria brasileira de máquinas e ferramentas?
Angela — Acho que o Brasil atravessa quase os mesmos desafios que todo o continente. Mas me pareceu muito surpreendente, ou muito admirável, um pouco do que está sendo feito nesse trabalho conjunto entre academia, Estado e indústria, justamente para começar a solucionar esses desafios. São desafios que vão desde o econômico até a aplicação das tecnologias nas empresas, até a cultura organizacional. Mas sinto que há um trabalho conjunto justamente para se antecipar um pouco a esses desafios e começar a crescer mais. Então vejo a indústria com iniciativas muito interessantes, muito importantes, mas também com uma necessidade de avançar. E isso acho que é o que mais resgato de tudo.
Yoko — A indústria no Brasil tem desafios e busca formas de ser mais competitiva, e isso é o que vejo como a principal fortaleza frente a outros mercados. Porque, em um ambiente de impostos e temas geopolíticos, a indústria do Brasil se vê realmente muito poderosa. E nas entrevistas, no evento, em tudo o que encontro ao redor, a verdade é que é uma indústria que me deixa surpreendida por tudo o que tem. O Brasil é muito forte e um país muito competitivo frente a outros. No caso do México, não sei, da Colômbia, mas sim, muito competitivo.
BMS — Para finalizar, houve alguma experiência em particular que ajudou no seu trabalho, na preparação dos artigos, e que também foi marcante para você como jornalista?
Angela — Acho que uma das coisas mais notáveis, obviamente, teve a ver com todo o tema das demonstrações, por exemplo, com tudo o que vimos de tecnologia e inovação. Isso me pareceu muito, muito interessante. Entender como estão levando um pouco do projeto à planta me pareceu super importante. Mas também gostei muito de algumas das entrevistas que tivemos, do nível de conhecimento e experiência que, em tão poucos minutos, pudemos ter. Como eu dizia no início, é o momento para reunir todas as informações e conhecimentos, mas as entrevistas em particular, as que tivemos ontem, me pareceram incríveis. Sobretudo quando falamos do tema de soldagem, por exemplo. Isso é algo que nós, na Metalmecánica, trabalhamos muito. E essa conversa que tivemos foi muito rica, muito enriquecedora, tão completa que acho que eu poderia ter ficado ali horas. Então acho que, além de toda a experiência, esses foram os momentos muito notáveis que levo comigo.
Yoko — A oportunidade de falar com especialistas em diferentes setores da indústria e conhecer os novos processos de forma mais detalhada. Isso me ajuda a complementar minha informação, e a experiência que vivi é conhecer justamente essa tecnologia e poder transmitir ao setor industrial o que ela significa, o que vem em todo esse caminho com a nova era rumo ao futuro no tema da indústria. A verdade é que vou embora muito contente porque não foi só uma experiência, mas poder conhecer as diferentes tecnologias, os processos das empresas, o maquinário que trazem é muito bom para dimensionar e conviver também com a cultura brasileira. Tivemos o acompanhamento da ABIMAQ, isso nos ajudou a conhecer um pouco mais, interagir com o setor e, ao mesmo tempo, conhecer um pouco mais as pessoas.

