A inserção internacional da indústria de máquinas e equipamentos passa, cada vez mais, por requisitos que vão além de preço e capacidade produtiva. Em mercados como União Europeia, Estados Unidos e Canadá, critérios técnicos, ambientais e de segurança assumem papel decisivo na definição de fornecedores aptos a integrar cadeias globais, o que significa que certificações se tornam condição de acesso.
De acordo com Natália Siqueira, gerente executiva de mercado externo da ABIMAQ, cada tipo de produto, mercados e países são variáveis que influenciam diretamente quais caminhos as empresas exportadoras que estão em busca de certificações ou de selos devem seguir. “Existe uma diversidade muito grande de exigências entre os mercados, o que demanda uma análise específica para cada destino”, afirma. Ela explica compreender que cada negociação tem suas próprias regras é o primeiro passo para construir uma estratégia de internacionalização consistente.
Na União Europeia, a marcação CE é decisiva para a venda de máquinas, pois comprova que o equipamento atende às normas de segurança e meio ambiente. Já nos Estados Unidos, além de regras nacionais e estaduais, é comum a exigência de certificações privadas, como as da UL Solutions, que são fundamentais para viabilizar a comercialização.
De acordo com Natália, esse modelo norte-americano eleva a complexidade do processo de adequação. “O mercado dos Estados Unidos é muito baseado em securitização, então determinadas certificações passam a ser necessárias para viabilizar o seguro do equipamento”, explica. Ela ressalta que, mesmo quando não há obrigatoriedade legal explícita, a ausência de certificação pode inviabilizar a operação comercial.
Além das normas formais, grandes compradores internacionais também costumam estabelecer padrões e diretrizes próprios, especialmente em setores como o automotivo. Esses parâmetros podem envolver testes adicionais, auditorias e validações específicas, o que aumenta o nível de preparação necessário por parte dos fabricantes.
Devido a esse grau de variedade de certificados, comprovações e medidas importantes para inserção no comércio global, Natália indica estabelecer uma relação próxima de alinhamento com o importador para definir a busca pelos requisitos de acesso. De acordo com Natália, muitas exigências nem sempre estão claramente documentadas em regulamentos públicos, o que reforça a importância do diálogo direto com parceiros comerciais que convivem de forma prática com os parâmetros que podem viabilizar a compra de uma mercadoria. “O alinhamento com o importador é fundamental para entender quais são as exigências reais daquele mercado no qual estão inseridos”, afirma.
A executiva também destaca que o nível de complexidade varia conforme o tipo de produto e o grau de sofisticação do mercado de destino. Enquanto países com menor estrutura regulatória podem demandar documentos como o certificado de livre venda, mercados mais desenvolvidos exigem processos robustos de certificação e validação técnica.
Para empresas em fase de preparação, a recomendação envolve planejamento e suporte especializado. De acordo com Natália, a contratação de consultorias técnicas pode reduzir riscos e evitar retrabalho. “Muitas vezes, errar no processo de certificação acaba saindo mais caro do que investir em uma assessoria especializada desde o início”, afirma

