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Mercados não óbvios ampliam fronteiras do setor brasileiro

Publicado em 18/02/2026

Diversificação geográfica impulsiona expansão sustentável das exportações

A reconfiguração geopolítica, as tensões comerciais e as cadeias produtivas cada vez mais técnicas, deslocaram a discussão sobre mercados “não óbvios” para o centro da estratégia internacional da indústria brasileira de máquinas e equipamentos. África, alguns países do Mercosul, Ásia e Leste Europeu deixaram de ser possibilidades periféricas e passaram a integrar o radar estratégico do setor.

Para acessá-los, é preciso acelerar curvas de aprendizagem das empresas e integrar uma coalizão setorial que analisa constantemente esses mercados.

“Quando as empresas chegam ao projeto, elas focam nas ações concretas, como a participação de feiras e rodadas de negócios. Mas os benefícios entregues vão muito além. Trata-se de participar da construção da internacionalização do setor. A agenda é construída com as empresas e para as empresas, mas também com a responsabilidade de ampliar o seu olhar para oportunidades que, muitas vezes, extrapolam seus interesses imediatos”, destaca Rayane Alvarenga, Coordenadora de Inteligência de Mercado e Mercado Externo da ABIMAQ.

O desempenho recente do setor reforça essa leitura. Em 2025, apesar da redução de 9% nas exportações destinadas aos Estados Unidos em relação a 2024, as exportações brasileiras de máquinas e equipamentos cresceram 5% no comparativo anual. Parte desse resultado foi impulsionado por maior inserção em outros mercados.

“Singapura, por exemplo, registrou crescimento de 74% frente a 2024 e passou a figurar como o terceiro destino das exportações brasileiras do setor, com destaque para máquinas voltadas a projetos e saneamento. A Argentina apresentou o maior volume de importações de máquinas e equipamentos brasileiros dos últimos cinco anos, e cresceu 38% em 2025. Crescemos nossas exportações em 122 destinos”, destaca.

Ainda assim, Rayane pondera que a leitura exige cautela. “Não se pode generalizar nem afirmar que as exportações brasileiras antes destinadas aos Estados Unidos foram redirecionadas para outros mercados. Muitas empresas foram afetadas pelas tarifas impostas em 2025. Os Estados Unidos seguem sendo o mercado mais relevante para o setor, e isso não deve mudar no curto prazo”, afirma. Em 2025, mesmo diante da tensão comercial, o país respondeu por 23% do valor das exportações do setor.

No entanto, diante da mudança da geopolítica global e sanções tarifárias, a diversificação deixou de ser opcional.

“Hoje, a estratégia central das empresas exportadoras precisa ser a diversidade de destinos. Não se trata de abandonar mercados tradicionais, mas de reduzir vulnerabilidades e ampliar o mapa de atuação”, analisa (Saiba mais em nossos Estudos de Mercado).

Desafios reais para os negócios na África

Os mercados africanos ganham destaque, embora ainda enfrentem barreiras de percepção e estrutura. “Existe uma percepção generalizada sobre a escassez da África, o que afasta as empresas brasileiras de oportunidades reais em mercados que estão dando saltos significativos de desenvolvimento”, observa a coordenadora. O continente reúne 54 mercados, cada um com características e desafios próprios, o que exige análise segmentada.

Há também desafios concretos. O tempo médio de trânsito marítimo pode chegar a 60 dias, fator relevante para importadores de equipamentos. A garantia de pagamento é outro ponto sensível, uma vez que a região é percebida como de maior risco. Soma-se a isso a necessidade de instrumentos de financiamento estruturados que permitam às empresas brasileiras ofertar condições competitivas. “Enquanto não tivermos soluções de financiamento estruturadas e ferramentas alternativas de pagamento atrativas, não vamos conseguir galgar passos maiores”, afirma.

Segundo Rayane, se aprimorados, esses são fatores determinantes para a virada de chave nas relações comerciais com o continente. E a mesma lógica se aplica aos mercados da Ásia, Leste Europeu e mesmo dentro do Mercosul ampliado. A expansão geográfica não depende apenas da decisão empresarial de participar de uma ação específica. Exige informação qualificada, estudos de mercado, comunicação estruturada e exposição estratégica às oportunidades.

“O nosso papel não é apenas levar as empresas às ações efetivas, mas também municiá-las de conhecimento e ferramentas para darem saltos na expansão internacional”, resume Rayane.

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